Mildred Pierce é uma novela publicada em 1941, escrita por James M. Cain, autor de contos que se tornaram clássicos filmes noir, como por exemplo Double Indemnity (Pacto de Sangue, 1944) e The Postman Always Rings Twice (O Destino Bate à Sua Porta, 1946), que eu li AND assisti.
Em 1945, a Warner Bros lançou o filme (Mildred Pierce/ Almas em Suplício), com Joan Crawford no papel que lhe deu um Oscar de Melhor Atriz e Michael Curtiz (Casablanca, Meu Reino por um Amor) como diretor.
A HBO, em 2011, exibiu a minissérie Mildred Pierce, em 5 episódios. Kate Winslet, que protagonizou a série dirigida por Todd Haynes (Velvet Goldmine, Não Estou Lá), merecidamente ganhou todos os prêmios de melhor atriz a que foi indicada.
Meu primeiro contato com Mildred foi através do filme de 45, que conquistou meu brega coração com sua pieguice e a teatralidade de Joan Crawford. Só que ano passado assisti à minissérie - que pode ser muito mais detalhada e permitir o desenvolvimento dos personagens e o nosso envolvimento com eles - e ME APAIXONEI (com ódio), porém Miss Crawford ainda me fazia falta (o que me fez baixar e assistir Mamãezinha Querida, 1981). Na mesma semana, encomendei na Amazon uma bio dela e também um livro de James M. Cain, que trazia Mildred Pierce entre suas Selected Stories. Basicamente é assim: a minissérie é o livro em movimento. Enquanto lia, relembrava vividamente das faces dos atores e cenários da série, em muitos detalhes. (quem é joan crawford?)
Revi o filme hoje e fiquei menos emocionada, quase entediada. =~
O que fizeram com o filme foi usar elementos de outras histórias de M. Cain (narração em primeira em pessoa, flash-backs, assassinato, estilo noir) que esta em especial não tinha. Também, sob o código Hays, os produtores tiveram que alterar pontos importantes da trama (como Veda, que ao sair de casa, vai cantar músicas baratas num bordel, em vez de óperas em grandes teatros, causando vergonha ao invés de orgulho; ou não explicitar o amor/admiração doentio, quase incestuoso, que Mildred carrega por sua filha Veda) e punir Veda ao final numa quase moral-da-história. Como é de se esperar de uma adaptação literária para o cinema, personagens e história foram limados ou condensados, para caber em 2 horas de projeção. Além do que, o papel pra Crawford (que foi conseguido somente após testes - uma humilhação para alguém que já havia feito parte do "céu estrelado da MGM") meio que a salvou do limbo naquele momento.
Isto posto, ambas as produções têm seus méritos, dentro daquilo que podia ser feito com o material. O filme é muito bom, mas a história de M. Cain é maravilhosa e a série usou tudo o que havia no papel e deu cor, luz, voz e movimento [ha-ha, que cafona] às palavras do autor. O time de Kate Winslet, Guy Pierce e Evan Rachel Wood, pra mim, superou o clássico - algo muito difícil de admitir para alguém que gosta de ver filmes cheirando a mofo.
quinta-feira, 15 de março de 2012
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Entrevista com Bette Davis
Não foi esse vídeo que vi da primeira vez, mas aqui Bette Davis conta da vez que a Warner Brothers a processou por ela ter assinado para fazer um filme na Europa. Antes de ir, Jack Warner pediu para que não fosse, dizendo que tinha selecionado um livro pra ela, de uma tal Margaret Mitchell, chamado Gone With the Wind, na tentativa de amansá-la, já que ela estava P da vida por só fazer filmes ruins. Mas ela saiu da sala dele, dizendo que aquilo deveria ser uma bosta. Depois que ela voltou da Inglaterra, um ano depois, ela soube o que era Gone With the Wind (a campanha de marketing para a escolha dos atores já deveria ter começado). E aí começou-se um acordo com Selznick para que ela contracenasse com Errol Flynn -- ele sendo Rhett Butler. Segundo Bette Davis, ele era o mais lindo do universo, muito charmoso e tals... mas nem a pau poderia interpretar Rhett Butler. Por isso, ela não aceitou.
(e gente, a entrevista inteira é maravilhosa. ela é uma coisa de engraçada! <3)
A partir de 2:48 ela fala disso.
(e gente, a entrevista inteira é maravilhosa. ela é uma coisa de engraçada! <3)
A partir de 2:48 ela fala disso.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Bette Davis, E o Vento Levou e Jezebel
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| Bette Davis, o vestido vermelho da discórdia e Henry Fonda |
Vi um vídeo no YouTube em que Bette, já velha, diz que ela que rejeitou o script. O que sei é que houve uma pesquisa, na época em que os direitos do livro foram comprados, para a escolha de Scarlett, e Bette Davis estava em primeiro lugar. A Warner emprestaria sua estrela, mas as negociações não foram muito adiante, então eles apressaram a filmagem de Jezebel. Quando o filme saiu, em 1938, O. Selznick enviou uma carta para Jack Warner:
"Prezado Jack,
O filme inteiro está permeado de caracterizações, atitudes e cenas que, infelizmente, lembram 'E o Vento Levou'."
Jack Warner simplesmente agradeceu seu grande interesse.
Bette Davis ganhou seu segundo Oscar de melhor atriz por esse papel e no ano seguinte, também indicada, por Vitória Amarga (Dark Victory, 1939), perdeu para Vivien Leigh, a Scarlett O'Hara definitiva.
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| Em cena, com George Brent |
off–Jezebel: Para que Henry Fonda, o co-protagonista de Davis, pudesse estar junto da mulher enquanto ela dava à luz Jane Fonda, sua primeira filha, algumas entre seus personagens foram gravadas sem ele.
Bette Davis teve um caso com o diretor, William Wyler (com quem trabalharia em A Carta – The Letter, 1940 e Pérfida – The Little Foxes, 1941) AND com o colega de trabalho, George Brent. Se tem algo pelo que ela não era conhecida seria por sua constância e/ou fidelidade nos relacionamentos, mas, mais tarde, foi amplamente divulgado que Bette Davis tinha William Wyler como o amor de sua vida.
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| Paradinha nas gravações, pro almoço com William Wyler |
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Hoje terminei de assistir Prison Break. Também terminei de ler os cinco livros "da trilogia" do Mochileiro das Galáxias.
Considerações: eu tinha preconceito com Prison Break, quando comecei a ver, tinha "medo" de tanta angústia. Mas quando peguei pra valer o ritmo da série, fiquei viciada. Todas as situações são bem absurdas, mas você não se importa mais. Contanto que Michael e Lincoln e Sarah e os outros fiquem bem.
Devo dizer que gosto mais das duas primeiras temporadas, porque foi quando eu quase tive ataques do coração com a conspiração do mundo. A terceira é interessante (a fictícia prisão Sona, no Panamá, foi inspirada na Carandiru, veja só você) porque é diferente, mas os absurdos são menos explicados. Também é a época da greve dos roteiristas de Hollywood (entre 2007 e 2008), então tem menos episódios que as demais temporadas. A quarta temporada tem tantas reviravoltas, que às vezes fica difícil de acompanhar. O final traz vários personagens de volta e tem um desfecho (4 anos depois) esperado, mas triste -- bem triste, quase chorei. E aí tem um filme (que só foi exibido na TV, depois lançado em DVD) pra contar o que aconteceu logo depois que "tudo fica bem", antes do pulo de 4 anos.
Considerações II: comprei a coleção do Mochileiro das Galáxias (os 5 livros escritos por Douglas Adams) no Submarino e paguei 20 ou 30 reais. Edição simples, sem orelha. Li por indicação da Enciclonérdia. Desde o primeiro volume, é muito engraçado e idiota, porque é uma grande paródia da nossa vidinha burocrática. Mas engasguei pra engrenar na leitura. Agora que terminou, faz um pouco de falta. (?) Vários trechos destacáveis, mas vai aí um quote:
Considerações: eu tinha preconceito com Prison Break, quando comecei a ver, tinha "medo" de tanta angústia. Mas quando peguei pra valer o ritmo da série, fiquei viciada. Todas as situações são bem absurdas, mas você não se importa mais. Contanto que Michael e Lincoln e Sarah e os outros fiquem bem.
Devo dizer que gosto mais das duas primeiras temporadas, porque foi quando eu quase tive ataques do coração com a conspiração do mundo. A terceira é interessante (a fictícia prisão Sona, no Panamá, foi inspirada na Carandiru, veja só você) porque é diferente, mas os absurdos são menos explicados. Também é a época da greve dos roteiristas de Hollywood (entre 2007 e 2008), então tem menos episódios que as demais temporadas. A quarta temporada tem tantas reviravoltas, que às vezes fica difícil de acompanhar. O final traz vários personagens de volta e tem um desfecho (4 anos depois) esperado, mas triste -- bem triste, quase chorei. E aí tem um filme (que só foi exibido na TV, depois lançado em DVD) pra contar o que aconteceu logo depois que "tudo fica bem", antes do pulo de 4 anos.
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| Melhor personagem? Theodore Bagwell, também conhecido como T-Bag (ou Tiba, aqui em casa). |
Considerações II: comprei a coleção do Mochileiro das Galáxias (os 5 livros escritos por Douglas Adams) no Submarino e paguei 20 ou 30 reais. Edição simples, sem orelha. Li por indicação da Enciclonérdia. Desde o primeiro volume, é muito engraçado e idiota, porque é uma grande paródia da nossa vidinha burocrática. Mas engasguei pra engrenar na leitura. Agora que terminou, faz um pouco de falta. (?) Vários trechos destacáveis, mas vai aí um quote:"Resumindo: é um fato bem conhecido que todos os que querem governar as outras pessoas são, por isso mesmo, os menos indicados para isso. Resumindo o resumo: qualquer pessoa capaz de se tornar presidente não deveria, em hipótese alguma, ter permissão para exercer o cargo. Resumindo o resumo do resumo: as pessoas são um problema."
O Restaurante no Fim do Universo - Douglas Adams
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
agora eu sei porque gostei tanto da cara...
... da Zelda Fitzgerald em Meia-Noite em Paris:
É porque é a mesma atriz (Alison Pill) que faz a Kim Pine, do Scott Pilgrim!!!! ♥♥♥♥♥♥
É porque é a mesma atriz (Alison Pill) que faz a Kim Pine, do Scott Pilgrim!!!! ♥♥♥♥♥♥
eu, robô — isaac asimov
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| I, Robot - livro futurístico de 1950. |
Isaac Asimov foi uma criança prodígio e, quando morreu em 1992, deixou livros publicados em quase todas as áreas do conhecimento, de acordo com o sistema de classificação Dewey (exceto filosofia).
Antes de Asimov, quase todos os robôs da ficção eram monstruosidades que acabavam se rebelando e destruindo os humanos (vide o robô Maria de Metrópolis e o monstro de Frankenstein). Eu, Robô conta a evolução das máquinas até a humanidade passar a ser regida por robôs — mas para seu próprio bem.
O livro abre com a introdução do jornalista que está entrevistando Susan Calvin, a antiga robopsicóloga da U.S. Robôs e Homens Mecânicos, uma humana que se especializou nas mentes dos robôs, e que odeia humanos. A partir daí, temos nove contos sobre o relacionamento dos humanos com suas criações, e essas histórias vão se ligando pela evolução do cérebro positrônico (ou inteligência artificial). Todas as histórias gravitam em torno das "Três Leis da Robótica" (inventadas por Asimov), sem as quais um robô não poderia ser manufaturado:
- Primeira Lei: um robô não pode ferir um ser humano ou, através da inação, permitir que um ser humano seja ferido.
- Segunda Lei: um robô deve obedecer às ordens dadas por seres humanos exceto se tais ordens entrarem em conflito com a Primeira Lei.
- Terceira Lei: um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.
Do segundo ao sétimo conto, a trama se passa depois que os robôs foram banidos do solo terrestre e a U.S. Robôs acabou encontrando terreno para seus desenvolvimentos no espaço.
O oitavo conto é sobre um político tão perfeito que todos desconfiavam que fosse um robô - e seria uma humilhação para a humanidade ser governada por uma máquina.
O último conta sobre como o mundo passou a não ser mais considerado por países, mas por regiões que foram reorganizadas (o Chile, o Uruguai e a Argentina faziam então parte da Região Europeia, por exemplo), coordenado por "coordenadores regionais", mas dirigido por máquinas.
Por todo o livro, sempre tive a impressão de que alguma merda muito grande estava prestes a acontecer. Mas só lendo pra tirar suas próprias conclusões.
Da mesma forma que na ficção, o mundo real evoluiu com uma rapidez espantosa nos últimos anos e a maioria das pessoas depende de máquinas inteligentes e seus softwares para realizar seus trabalhos — ou até mesmo ter lazer. Da mesma forma que na ficção, há um grupo de reacionários com seus motivos financeiros, egoístas e ignorantes, com argumentos estúpidos, querendo que aquilo que foi conquistado seja enterrado e que voltemos aos tempos medievais.
"Então não se lembra de um mundo sem robôs. Houve uma época em que a humanidade enfrentava o universo sozinha e sem um amigo. Agora tem criaturas para ajudá-la, criaturas mais fortes que o homem, mais fieis, mais úteis e absolutamente devotadas aos seus senhores. A humanidade não está mais sozinha. Já pensou deste modo?"
P.S.: Eu já vi o filme, quando saiu no cinema, mas não lembro se os robôs ficam malditos. De qualquer forma, lembro que é com o Will Smith e eu não curto muito ele. =)
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domingo, 15 de janeiro de 2012
as meninas, lygia fagundes telles
"Dormir dormir. Dormir até rachar de dormir sem nenhum sonho que sonho só serve para encher o saco. Tem uns bons. Aqueles." — Ana Clara
"Quero te dizer também que nós, as criaturas humanas, vivemos muito (ou deixamos de viver) em função das imaginações geradas pelo nosso medo. Imaginamos consequências, censuras, sofrimentos que talvez não venham nunca e assim fugimos ao que é mais vital, mais profundo, mais vivo." — Lorena
"A gente tem que amar o próximo como ele é e não como gostaríamos que ele fosse." — Lia
Essas são as meninas que entitulam o romance de Lygia Fagundes Telles. Três moças que moram juntas num pensionato de freiras e têm a juventude, o amor e a amizade em comum. De resto, são bem diferentes umas das outras.
Lorena (ou Lena) é a personagem romântica, inocente e a quem as outras recorrem quando estão apertadas de grana. Sua família tem dinheiro e ela não diz não a uma amiga em apuros. Sua vida pessoal é baseada em ilusões amorosas, na esperança de um telefonema e na lembrança do irmão morto quando criança. Consequentemente, acaba vivendo mais a vida dos outros que a própria.
Lia (ou Lião) é militante de esquerda, seu namorado está preso e ela receia que seja pega também. Por isso, talvez, seja a mais receosa das amigas, a mais racional. Mas nem por isso deixa de ser sentimental e sonhadora. Para cada coisa que discorda de alguém, tem um discurso preparado.
Ana Clara (ou Ana Turva) é completamente absurdada. É lindíssima, mas vive drogada. Desde criança sofre abusos, sempre viveu meio largada e agora está noiva de um velho rico e tem um amante que divide sua preferência por viver dopada. Quando está drogada, vive num mundo de fantasia, quando está sã, inventa mentiras. Ninguém a leva muito a sério, exceto uma freira que acredita que pode salvá-la.
A história é toda tecida pela narrativas das três meninas, meio que num fluxo de consciência, sem aviso de quando troca de uma pra outra. Além disso, de vez em quando, surge um narrador em terceira pessoa. Tudo se passa em dois dias mas, quando as circunstâncias trazem memórias, as três descrevem acontecimentos do passado e a cada momento temos uma nova versão dos fatos.
Começou a ser escrito em 1970 e foi lançado em 1974, no auge da ditadura aqui no Brasil e essa não deixa de ser uma história sobre a procura ou sobre o sonho de liberdade. Elas estão agrilhoadas e querem se ver livres. Uma da mãe neurótica e todas suas imposições, por isso sonha tanto em casar; a outra quer se afastar o máximo que puder da miséria que a persegue desde criança; a terceira, quer fugir da ditadura, voar para outro país. Cada qual divide sua história, contando o que quer para si e é como se estivéssemos lá, como se pudéssemos ler os pensamentos delas — que no caso da Ana Clara me deixou incomodadíssima.
Enquanto lia, fui me identificando um pouco com cada uma — mais com Lorena, acho — e me apegando a essa história. Quando estava chegando às últimas páginas, além da surpresa com o final, me senti um pouco triste por ter de "fechá-las". Por isso voltei, copiei alguns trechos, li de novo algumas páginas e decidi falar delas aqui. Porque todos nós temos ideais e não há nada que possamos fazer para adivinhar onde cada passo nosso vai nos levar.
P.S.: Tati, obrigada pela dica ;)
Enquanto lia, fui me identificando um pouco com cada uma — mais com Lorena, acho — e me apegando a essa história. Quando estava chegando às últimas páginas, além da surpresa com o final, me senti um pouco triste por ter de "fechá-las". Por isso voltei, copiei alguns trechos, li de novo algumas páginas e decidi falar delas aqui. Porque todos nós temos ideais e não há nada que possamos fazer para adivinhar onde cada passo nosso vai nos levar.
"Tudo o que tive e ainda tenho, tão triste buscar lá fora o que deveria estar aqui dentro."
P.S.: Tati, obrigada pela dica ;)
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